sábado, 17 de outubro de 2015

O início misturado com o momento actual

São 3.34h, não consigo dormir, desatei num pranto, não tenho ninguém com quem falar e tenho imensas coisas para dizer, por isso resolvi começar a escrever, como uma espécie de terapia, porque preciso de tirar tudo isto de dentro de mim...
Às vezes pergunto-me se sou maluca ou se nasci com um dom que não deixa de ser uma maldição, porque vejo coisas que quase ninguém vê, não são alucinações, são atitudes das pessoas que me levam a ler nas entrelinhas e a antever coisas que ninguém percebe, o que eu me irrita pois faz sempre de mim a "má da fita", a "maluca", pelo menos até os mais distraídos perceberem que afinal eu tinha razão....
Enfim, vivo com uma revolta dentro de mim!
Ah, e depois há o meu orgulho, essa coisa terrível e sufocante que nos destrói e destrói as nossas relações, como diz sabiamente a minha avó "não perdoo e não esqueço", não é bom ser assim, mas também detesto pessoas fracas, com fraca auto estima e sem orgulho...
Agora tenho na minha rica filha de 15 anos a imagem de tudo o que eu fui com essa idade e como custa lidar com uma adolescente que prefere "partir a vergar", uma vez mais um sábio ditado da minha avó!
Estou a divagar, a minha vida é bem mais interessante do que revelo nestas curtas linhas.
Estou muito baralhada, pedi o divórcio de uma relação que começou quando tinha apenas 17 anos, sufoquei, precisava de viver a minha vida e, de repente, aos 35 anos, decidi que não queria mais a vida perfeita que tinha e com que tinha sempre sonhado e resolvi arriscar, troquei o certo pelo incerto, dei o salto para uma aventura sem rede, não tinha dinheiro nem razão aparente que justificasse o divórcio, estava só cansada da rotina e cansada de ser mulher e mãe e sem espaço para viver a minha vida, para me divertir como nunca tinha feito.
Agora, 6 anos passados, já numa nova relação, dou por mim com saudades de tudo o que tinha, do conforto do lar, da protecção, da valorização constante, da felicidade de sentir que era amada, da felicidade de sentir que tinha tudo o que sempre quis, da segurança de saber que aquele marido, aquela pessoa com quem eu tinha crescido, nunca me iria abandonar...
Estou triste, não me sinto amada, não me sinto valorizada, sinto-me mal tratada e insegura, não tenho vontade de acordar, de me arranjar, não tenho vontade de fazer nada porque nada do que eu faço tem direito a uma palavra de apreço, e então agora choro e pergunto, afinal o que é que eu fui fazer à minha vida?
Será que andei à procura daquilo que afinal já tinha encontrado?
A minha vida nunca foi fácil, quis fazer tudo "by the book" e falhei... Não consigo ser politicamente correcta, sou frontal, honesta, impulsiva, faço o que acho que está certo e não aquilo que ficaria bem fazer, e é por isso que agora estou neste dilema, não sei se chegou a hora de, uma vez mais, recomeçar, e uma vez mais sem dinheiro, sem emprego...
Tenho que ser feliz, é uma condição a que me obrigo nesta curta vida, mas não é fácil.....
É claro que gosto dele, daquele com quem vivo, não gosto facilmente mas quando gosto gosto com todas as minhas forças, de coração aberto, e foi esse coração que ele partiu em mil pedacinhos logo no início, quando tudo devia ser como nos contos de fadas, e foi um verdadeiro pesadelo!!! Não sei bem que ditado da minha avó se aplica aqui "o que nasce torto tarde ou nunca se endireita" ou "o que começa mal acaba bem", é isso que pretendo descobrir.
Estas histórias são tão complexas e com tantos episódios dignos de registo que vou escrever um livro, sempre tive essa certeza!
Agora, já mais calma, vou-me deitar e tentar dormir, quem sabe se amanhã acordo com vontade de recomeçar, de correr os riscos todos outra vez, ou se acabo por tentar fazer com que resulte, porque não gosto de variar, não gosto de mudanças, e porque afinal gosto dele, não sei como nem porquê, mas sei que o amor não se explica, sente-se, e por isso não tem explicação racional!
Até amanhã, onde vou tentar desvendar mais sobre a minha vida rica em emoções!

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